O cristão deve ter seus pensamentos e ações moldados pela mente de Cristo. Na política, como em todas as áreas.

Isto nos leva diretamente à pergunta:

Jesus, o Cristo, disse algo a respeito da política deste mundo?

E mais: Como devemos nos posicionar hoje em nosso país diante da turbulência que nos sobrevém? Há alguma instrução nas escrituras que possa nos guiar nesta hora de tanto desatino? O que fazer em meio a este tiroteio entre partidos lotados de corruptos, STF aparelhado, Lava Jato revelando tantos escândalos que já não escandalizam mais ninguém e mídia escancaradamente a favor da desintegração moral da nação?

Poucos se perguntam sobre como agradar a Cristo neste momento confuso… O restante vai atrás do último “salvador da pátria”.

Antes de procurar alguma resposta, precisamos lembrar a quem pertencemos. Se somos de Cristo, nosso compromisso maior é com Ele. Queremos ser conscientes, informados, participativos, cívicos, etc. Podemos e devemos sê-lo, mas tudo isto não será mais do que tontice se não tivermos nosso coração e mente voluntariamente escravizados a Ele, e ao seu modo de pensar.

Tendo garantido o principal, procuremos então a sua sabedoria da forma como ela é simplificada para nós, os pequeninos. A partir daí, podemos analisar melhor o que ocorreu no seio da Igreja nas duas últimas décadas e distinguir o caminho a seguir.

Escolhi avançarmos passo a passo, em busca de uma melhor didática.

Passo 1: Entendendo o que dizem as escrituras

Nosso Senhor disse algo sobre a política deste mundo? A resposta é um retumbante SIM. Jesus nos deu clara lição sobre a política de todos os povos e de todas as épocas.

Antes, porém, atentemos ao que disse o profeta Jeremias:

“…maldito o homem que confia no homem, faz da carne mortal o seu braço, e aparta o seu coração do Senhor!” Jeremias 17:5

O cristão que não é meramente nominal, mas um contínuo discípulo de Jesus, desde sua conversão sabe que “não há justo, nem sequer um” e que “todos pecaram e carecem da glória (presença, imagem e caráter) de Deus”.

O discípulo de Cristo, a Ele recorreu ciente de sua própria miséria e corruptibilidade. Desesperado por sua pecaminosidade e desejoso de algum milagre que o livre, veio a Cristo na esperança de ter, mais do que uma religião, uma vida nova. Mais do que um código de ética, um poder para cumpri-lo. Mais do que novas idéias, o sumo da sabedoria escondida. Mais do que uma parte da verdade, a sua plenitude.

O discípulo, antes existencialmente vencido, encontrou em Cristo…

“… em quem todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos.” Colessenses 2:3

Já desesperançado do homem e suas vãs sutilezas, enojado com a hipocrisia reinante e maravilhado com a glória revelada no humilde carpinteiro, o discípulo nunca mais colocará suas esperanças nas utopias humanas que prometem justiça e paz sem o governo de Deus. Ele sabe que qualquer confiança no braço da carne apartaria o seu coração do seu Senhor, da forma como o descreveu o profeta Jeremias.

Confiando assim em Cristo, o discípulo faz de Sua Palavra sua própria regra de vida. Não discute com Cristo, mas a Ele se amolda e a Ele subjuga todos seus pensamentos.

Voltando ao que disse Jesus: Ele foi sucinto e categórico. Não precisou, como nós, de muitas palavras. Não fez grandes análises nem precisou de infindáveis argumentações. No entanto, proclamou de uma vez para sempre a lei social que é vigente em todos os reinos deste mundo e em todas as épocas da história:

“Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles”. Mateus 20:25

Jesus considera esta lei social tão evidente, que ao enunciá-la começa com “Sabeis…”. É como se Ele dissesse: Isto é tão evidente, tão categórico que vocês já o sabem…

Mas… realmente sabemos?

Comportamos-nos como quem sabe deste fato? Quanto trabalho, conflito e morte teriam sido evitados se a humanidade desse atenção a esta obviedade! Mas é triste constatar quão facilmente estas palavras de Jesus estão sendo ignoradas por aqueles mesmos que se dizem seus seguidores.

Passo 2: O que ocorreu conosco?

Fomos instruídos desde pequenos a acreditar am algo chamado “democracia”. Já não estamos, disseram-nos, sob um governo imposto por um rei ou um déspota. Estamos livres da ditadura militar e agora podemos escolher os homens de bem que vão nos governar.

Nos ensinaram que nosso voto é o exercício da cidadania e uma das provas de nosso civismo. Ninguém nos deu alguma explicação que seja minimamente coerente, sobre sermos obrigados a exercer nosso direito. Nos deram um “direito” que se não o exercemos somos multados!

Mas como bons cristãos, lá vamos nós às urnas, escolher o próximo governante. Não vou entrar aqui no mérito da questão do voto. Votar não é o problema, embora votemos e nunca contemplemos a solução prometida.

Porém, o que se viu nas últimas décadas foi uma crescente confiança carnal nas promessas de políticos, chegando nos últimos 10 anos às raias do fanatismo cego (e há outro?) e da militância desavergonhada.

O que Jesus disse sobre os governos deste mundo tornou-se, para efeitos práticos, desacreditado e obsoleto. Em seu lugar penetrou a propaganda dos “salvadores da pátria”, lobos vorazes que não poupam o rebanho e, por este mesmo rebanho, são aclamados como heróis.

Ignorar o que dizem as escrituras, resulta em grave pecado contra Deus e evidente desprezo às palavras de nosso Senhor Jesus Cristo.

Passo 3: Entendendo a ironia de Jesus

Mas voltemos ao que disse Jesus. Estamos mais acostumados a citar os relatos de Mateus e de Marcos, mas raramente o de Lucas (22:25). Os três evangelistas salientam o propósito primeiro da afirmação de Jesus, o qual não é outro senão o de estabelecer um fortíssimo contraste entre os formatos de liderança deste mundo e o do seu reino.

No primeiro os governantes dominam, por outro lado no Reino de Deus os maiores são aqueles que mais servem. Quando Deus Pai determinou que Jesus seria o Cabeça da Igreja, estava cumprindo a justiça de seu próprio princípio, pois ninguém foi mais sacrificial em seu serviço do que o nosso Senhor Jesus.

Nesta mensagem central, duas “leis” são proclamadas. Uma sobre o mundo político, outra sobre os critérios de liderança no Reino de Deus. As duas são inexoráveis. Nem o homem mais capacitado ou bem intencionado poderá alterá-las. Não haverá maioral deste mundo que não busque dominar, muito menos será aprovado por Deus como líder na sua casa, aquele que não se encurve para servir.

Lucas salienta um detalhe importante desta fala de Jesus, pois o cita dizendo “os que exercem autoridade são chamados de benfeitores”. Para além da mensagem central, o maior de todos os mestres inclui uma observação de ironia sutil e refinada que escapa aos menos atentos – e não é para menos que isto ocorra, pois a própria mensagem central foi diluída.

Tendo perdido o que é fundamental, o crente desavisado, moldado pela mídia, pela ONU e pelo MEC, nem de longe enxerga o que aparece em segundo plano. Com uma única frase Jesus menciona a atitude das ovelhas míopes que chamam a seus dominadores de benfeitores. Mais do que crer, engajam-se na pregação deste “evangelho” torto nascido no inferno e outorgado a conhecidos e históricos satanistas.

Após séculos de dominação explícita, eis que apareceram na terra os “libertadores”, os “messias” , os “cristos” que vieram em vários tons. Hora aliançados, hora em guerra, mas sempre com a mesma mensagem. “Nós os salvaremos”, dizem eles. Vamos libertá-los dos poderosos dominadores e introduzi-los em uma era de prosperidade e paz.

Que o mundo desesperançado tenha crido neles, é bastante compreensível, mas, tristemente, tal ocorreu e ocorre entre aqueles que dizem que o seu pastor é Jesus. Mais atentos ao Jornal Nacional, ao apaixonado sindicalista e ao professor da faculdade do que ao evangelho das insondáveis riquezas de Cristo. Muitos passaram não somente a crer, mas também a anunciar as “maravilhas” destes novos “messias”.

Além da mensagem central, o maior de todos os mestres inclui uma observação de ironia sutil e refinada que escapa aos menos atentos…. ovelhas míopes que chamam a seus dominadores de benfeitores.

Passo 4: O pior de tudo

Alguns poucos que sabem algo sobre Antonio Gramsci e sua proposta de revolução cultural, sobre seu fiel discípulo Saul Alinsky e sua prole de seguidores na América Latina, conhecida como ‘Foro de São Paulo’(1990), com certeza entendem mais rapidamente o que estou dizendo. Entretanto, e isto é o mais triste, não seria necessário saber nada sobre esta gente ou tampouco sobre suas idéias e propostas, para que o mais simples discípulo de Jesus se desse conta da malignidade infernal que está por trás de todo o aparato tão reluzente.

Afinal, se o próprio Belzebu aparecesse em sua frente, não seria necessário nenhum demônio subalterno para lhe avisar que o ambiente todo é maligno; muito menos seria necessário ler algum livro de ciências políticas para que ele se desse conta de que era hora de agir, e junto com o Mestre Amado dizer: Retira-te!

Ou não sabemos que o aborto é assassinato do mais indefeso ser humano? Ou achamos que é normal que nossas crianças, em tenra idade, sejam instruídas nas escolas sobre sexualidade, e isto com ilustrações? E que dizer sobre o ensino da identidade de gênero? E sobre a amizade com genocidas que mataram milhares de nossos irmãos, simplesmente porque a sua fé lhes era um estorvo?

Pois eu digo que, aqueles que, em nome de qualquer duvidoso benefício social, insistentemente e ano após ano, apoiam os propagadores de tais desatinos, estão pouco a pouco vendendo sua consciência e sua alma ao mesmo inferno de onde estas idéias surgiram.

Vivemos a última hora. Hora do máximo engano.

Quando os discípulos perguntaram a Jesus sobre o sinal de sua vinda e a consumação do século, sua primeira frase foi:

“Vede que ninguém vos engane”. Mateus 24:4

Em Mateus 24, o sermão inteiro demonstra a preocupação central com esta época e  quanto aos seus discípulos serem enganados.

Os crentes desavisados se apavoram com a ideia de uma perseguição apocalíptica, enquanto que o engano bate às suas portas e é recebido com um sorriso e um convite para jantar. Minha dúvida é se Jesus os julga como pobres ovelhas ingênuas, ou os vê como arrogantes que deixaram para trás a Sua palavra e o temor de Deus.

Passo 5: Arrependimento.

Nosso país necessita apenas uma coisa: O favor do Senhor. Mas como pode Ele abençoar uma nação que se afunda cada vez mais no pecado? Vai ser propício a um povo que entrega seus filhos à devassidão? Vai abençoar um país onde a própria Igreja se confunde e se avilta deixando de lutar pelos valores celestiais?

Pode, sim, fazê-lo, se em meio a esta nação encontrar uma Igreja arrependida e humilhada. Uma igreja que se comporta como baluarte da verdade. Um povo que não se rende às promessas de ímpios escarnecedores. Uma Igreja que não apenas ora, mas que o faz de coração sincero, levantando os olhos aos montes e clamando “de onde me virá o socorro?” Somente esta Igreja está habilitada a dizer:

“O meu socorro vem do Senhor que fez o céu e a terra”. Salmo 121:2

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