INTRODUÇÃO

Este é o terceiro artigo da série “Como não ser enganado pela grande mídia”. Neste texto trataremos do caso do memorando da CIA descoberto recentemente e veiculado por meio de reportagens.  Ao que parece, a grande mídia considera este documento como prova de que os assassinatos de oposicionistas durante o regime militar, foi autorizado pelo general Ernesto Geisel, presidente da República entre 1974 e 1979.

Segundo a reportagem, o referido memorando constata que “O presidente e o general Figueiredo concordaram então que, quando o CIE deter (sic) uma pessoa que se enquadre nessa categoria, o chefe do CIE irá consultar o general Figueiredo, cuja aprovação precisa ser dada antes que pessoa seja executada”.

PRELIMINARES

Inobstante o enorme alarido, a própria reportagem menciona que não é possível identificar, pelo memorando, qual foi a fonte das informações, se esta fonte estava presente na reunião ou se foi um relato feito por terceiros. Fato este que de per si já colocaria as afirmações do documento sob suspeita. Afinal, como levar a ferro e a fogo uma afirmativa sem fonte?

Para que se tenha um julgamento isento, ao analisarmos a reportagem é imperioso fazer uma contraposição à informação oferecida (que seria o conceito da dialética explicado no primeiro artigo da série), sob pena de não se entender o contexto histórico tratado no memorando da CIA.

CONTEXTO HISTÓRICO

Antes de prosseguir nesta contextualização, é bom deixar bem claro para os adeptos da retórica do cuspe e do xingamento que não julgo correto a eliminação de inimigos de guerra que tenham sido previamente rendidos pelo Estado.

Com relação ao memorando, a análise dele só faz sentido quando inserido no contexto histórico da época. Daqueles que se opunham ao Regime Militar, além dos que combatiam o regime pela luta política (muitos buscavam restabelecer a democracia no país), existiam outros que o faziam por meio da resistência armada. Estes, prontos a matarem para lograrem êxito na sua missão, que era estabelecer uma ditadura do proletariado no país (absolutamente sanguinária nas suas ações).

O tempo passou, e atualmente grande parte das pessoas com posicionamento de esquerda alegam que o Regime Militar, ao longo de 21 anos, matou 424 dos seus militantes (conforme relatório final produzido pela “Comissão da Verdade”). A bem da verdade, há quem diga que este número provavelmente foi inflado, pois os mortos comprovados foram 293, o número restante seria de desaparecidos, não podendo, portanto, afirmar-se que tenham sido mortos por agentes do regime (este último é o número que julgo correto).

Com relação às mortes ocorridas no período do Regime Militar (todas lamentáveis), não se pode esquecer que o terrorismo de esquerda também matou muitas pessoas (um número aproximado de 120), muitas delas sem qualquer vinculação com a luta política.

Considerando o estado de guerra que vivíamos à época, os quase trezentos esquerdistas mortos, após o endurecimento repressivo com que os militares responderam à reação terrorista da esquerda, representam uma taxa de violência bem modesta considerando um país que possuía em torno de 90 milhões de habitantes e quando comparado aos 17 mil dissidentes assassinados pelo regime cubano, que possuía uma população de 6 milhões de pessoas. Ou seja, apesar dos descalabros praticados pelo regime cubano, os militantes de esquerda tinham (e ainda têm) uma verdadeira adoração por este regime, mas, por outro lado, repudiam um outro com índices de violência bem inferiores.

Há décadas estas pessoas não esquecem dos seus trezentos militantes mortos pela ditadura brasileira, mas ao mesmo tempo barateiam de forma abominável os milhões de vítimas civis do comunismo internacional, mostrando seu completo desprezo às pessoas, quando estas não compartilham dos seus ideais revolucionários.

Vale destacar que o discurso comunista da década de 60, assim como um vírus mutante, transformou-se em um discurso aparentemente mais ameno (hoje temos a esquerda politicamente correta), mas que, na verdade, não passa da mesma ideia revolucionária que outrora defendiam.

Todas estas informações são importantes pois demostram que longe de se caracterizar pela crueldade repressiva, a resposta militar brasileira, seja em comparação com os demais golpes de direita na América Latina seja com a repressão cubana, se destacou pela brandura de sua conduta.

Apesar disto, a história oficial, repetida com uma inacreditável insistência pelos livros didáticos e pela grande mídia em geral, consagrou uma visão invertida da realidade, enfatizando os feitos da violência do Regime Militar, mas, ao mesmo tempo, omitindo sistematicamente os números comparativos dos crimes praticados pela esquerda e pelos países que serviam de modelo para ela.

FINALIZANDO

Uma rápida leitura do memorando da CIA me trouxe a memória alguns importantes pontos.

No tempo em que estudei na ESG, não lembro dos oficiais das nossas Forças Armadas que convivi por lá enaltecerem os possíveis excessos e brutalidades cometidos em nome do movimento de 1964. A mim ficou bem claro que eles entendiam muito bem que uma coisa é combater guerrilheiros em campo aberto, outra completamente diversa é torturar prisioneiros desarmados.

A longa convivência com estes oficiais firmou minha convicção de que não há comparação possível, na esfera moral, entre eles (diga-se que são uma das poucas categorias nas quais o povo ainda deposita alguma confiança) e os comunistas (ou pessoas com ideologia dele decorrente) que hoje se fazem de seus juízes, ávidos por destruírem a imagem daqueles.

Digo isto porque, em linha gerais, a dita esquerda tem uma enorme dificuldade de admitir que seus crimes foram tão ruins quanto aqueles que acusam terem sido praticados pelo Regime Militar. Afinal não se pode achar legítimo, em hipótese alguma, matar inocentes com atentados a bomba, sequestrar e matar representantes de outros países, assaltar bancos e, também torturar os seus inimigos (como por exemplo o caso do Tenente PM Alberto Mendes Júnior, covardemente torturado e assassinado por terroristas da VPR – Vanguarda Popular Revolucionária – em maio de 1970).

Outra dificuldade desta mesma esquerda é entender que não há crimes bons e crimes ruins, que tudo o que é feito contra a lei e contra a moral é mau em proporções iguais.

Ademais, quem, na esquerda, admite que, se os seus delitos foram anistiados, os do regime também o foram de uma vez para sempre (em função deste memorando já se levantam vozes para reverem a lei da anistia).

Finalmente, não resta dúvida, que a grande mídia mais uma vez tenta construir um repúdio aos militares no imaginário das pessoas, sem mostrar todos os elementos necessários para que possamos julgar com justiça a situação. Isto porque se assim o fizessem, ficaria mais fácil identificar quem são os verdadeiros patriotas de nosso país.

 

 

 

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André Machado
Cristão, casado há 19 anos, tem três filhos. Foi Sargento da Força Aérea durante 8 anos. Ocupa o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil desde 1998, tendo desempenhado diversas funções em comissão e em assessoria, com destaque para o de Diretor de Fiscalização Substituto, Coordenador Geral de Planejamento e Chefe do Escritório de Fiscalização no Rio de Janeiro (todos na PREVIC). Também atua como professor da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), na área de Gestão e Planejamento. Possui graduação em Administração pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1994); Pós-graduação em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ (2001); Pós-Graduação em Previdência Complementar pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003); Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense (2005); Advanced Leadership Seminar / Haggai Institute- 2008 (USA); Pós-Graduação em Política e Estratégia pela Escola Superior de Guerra (2011).

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