“Para o triunfo do mal, basta que os bons nada façam” (Edmund Burke).

Pesquisas mostram que em torno de 50% dos eleitores pensam em votar nulo nas próximas eleições.

Mesmo sabendo da completa degradação do nosso sistema político, penso que uma abstenção na escolha de um candidato é um ato de passividade e não de protesto. Isto porque, quanto mais votos brancos e nulos houver, mais os corruptos, os achincalhadores, os criminosos serão eleitos com número menor de votos, ou seja, o não votar significa favorecer aos maus (tratei deste assunto no artigo “Não vote nulo, salve o Brasil de sua completa destruição”).

No contexto em que vivemos, sei que a tarefa de escolher um candidato não será fácil, mas precisamos investir tempo em pesquisar o perfil de cada um dos que se apresentarão, escolhendo aqueles que sejam competentes, honestos e que tenham as nossas ideias (a internet ajudará muito nesta pesquisa).

Considerando ser impossível que todos os postulantes aos mandatos sejam marginais, seguem alguns pontos que auxiliarão nesta inglória busca por um candidato que nos represente de fato:

  1.  Valores – precisamos identificar quais valores julgamos mais importantes e quais são os candidatos que professam as nossas ideias, diferenciando-os daqueles que irão coibi-las.

  2. Partidos – Conhecer o partido, quais são seus ideais, se é uma sigla que defende temas da esquerda ou da direita e, claro, se você se identifica com ele. Por exemplo: alguns partidos defendem a liberação do aborto no país, outros não. Os sites dos partidos e as políticas públicas que estes defendem podem auxiliar nossas pesquisas.

  3. Se já é parlamentar (1) – consulte os sites oficiais de onde exerce o seu mandato para ver o que seu candidato já fez, qual a sua trajetória como parlamentar, como ele atuou nas diversas votações ou temas em debates.

  4. Se já é parlamentar (2) –  todos devem anexar a declaração de bens quando protocola o registro da candidatura, o que possibilita você conferir a evolução patrimonial do candidato. Um aumento fora do comum durante o período em que ele exerceu mandato, apesar de não ser decisivo, pode sugerir algum enriquecimento ilícito.

  5. Se já é parlamentar (3) – se é ficha suja, não vote nele. Lembrando que a Lei da Ficha Limpa só impede a candidatura de políticos condenados por órgãos colegiados, em segunda instância. Por isso, é possível que seu candidato já seja condenado em algum processo em primeira instância e siga na disputa (já existem aplicativos que mostram se o candidato tem algum tipo de condenação).

  6. Se não é parlamentar – caso seu candidato seja um novato (o que é bom para aqueles que gostariam de ver renovação na política), precisamos saber: a) qual área ele atua; b) qual a sua trajetória profissional; c) quem está apoiando a sua candidatura; d) qual sua origem e as razões que o levaram a disputar uma vaga nas próximas eleições.

  7. Propostas/competência – Considerando que ser honesto não é uma virtude especial, mas sim obrigação de todos, o que resta aos candidatos é mostrar que são capazes de nos representar. Ser honesto e competente é o que nos interessa (não adianta ser idôneo, mas não saber o que fará se eleito). Desta forma, é fundamental que saibamos quais são as propostas e se elas são exequíveis. Não nos enganemos com as mentiras costumeiras que aparecem nas eleições. Ponto importante: se for candidato a majoritário (presidente, governador e senador), não deixem de ver quem são os seus vices.

Finalizando, atualmente, muitos vêem, na intervenção militar, a solução para a desgraça que vivemos. Como ex militar que sou, e conhecendo uma série de oficiais generais (muitos que são amigos de turma da Escola Superior de Guerra), fico muito à vontade em afirmar que não existe espaço político para tal intervenção. Precisamos resolver de outra forma esta situação caótica.

Muitas ações precisam ser tomadas para resgatarmos nosso país desta hipérbole de maus feitos. Votar consciente nas próximas eleições é apenas um passo para tanto (não o único, mas muito importante).

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André Machado
Cristão, casado há 19 anos, tem três filhos. Foi Sargento da Força Aérea durante 8 anos. Ocupa o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil desde 1998, tendo desempenhado diversas funções em comissão e em assessoria, com destaque para o de Diretor de Fiscalização Substituto, Coordenador Geral de Planejamento e Chefe do Escritório de Fiscalização no Rio de Janeiro (todos na PREVIC). Também atua como professor da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), na área de Gestão e Planejamento. Possui graduação em Administração pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1994); Pós-graduação em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ (2001); Pós-Graduação em Previdência Complementar pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003); Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense (2005); Advanced Leadership Seminar / Haggai Institute- 2008 (USA); Pós-Graduação em Política e Estratégia pela Escola Superior de Guerra (2011).

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