Tudo que é preciso para o triunfo do mal é que nada façam os homens de bem (Edmund Burke).

Em 1964 o mal era personificado por todos aqueles que atuavam para transformar nosso país em uma ditadura comunista. Contra este mal se insurgiram diversos atores da sociedade civil, das Forças Armadas, e da classe política, incluindo os governadores do antigo Estado da Guanabara, de Minas Gerais e de São Paulo (Carlos Lacerda, Magalhães Pinto, Adhemar de Barros, respectivamente).

Deus foi bom, teve pena do povo brasileiro, nos livrando de ser governado por pessoas que defendiam o comunismo (a ideia mais perigosa, mais miserável, mais insustentável que alguém poderia apoiar).

Uma figura determinante para a tomada do poder pelos militares, foi o Governador Carlos Lacerda, que esteve no centro dos acontecimentos. O seu livro Depoimentos de Carlos Lacerda é uma verdadeira súmula de sua atuação política, onde podemos entender o que acontecia à época.

O Governador analisou o presidente João Goulart, seu governo e as causas que determinaram a necessidade do seu afastamento. Dizia que o presidente de herdeiro de alguns hectares de terra, transformou-se, em poucos anos, em proprietário de mais de 550 mil hectares – uma área igual a quatro vezes e meia o território da Guanabara. Além disso, com dinheiro cuja origem não explica, Goulart transformou-se num dos homens mais ricos do país.

Lacerda acusava duramente o presidente de querer levar o país ao comunismo. Dizia que João Goulart não queria governar. Adulava, de dia, os trabalhadores que condenava ao desemprego, de noite. A economia ia de mal a pior.

O presidente João Goulart era acusado também de ter montado um dispositivo sindical nos moldes fascistas, com dinheiro do Ministério do Trabalho, dinheiro roubado do imposto sindical, roubado do salário dos trabalhadores, para pagar as manifestações dos sindicalistas e as farras dos maus políticos. O país vivia um verdadeiro caos político.

O presidente iniciou o solapamento da autoridade militar, entregando os comandos militares a gente sem prestígio nas Forças Armadas. O desprestígio – segundo Lacerda – atingiu a todos os setores do Governo, os Ministérios Civis e principalmente os militares.

Os brasileiros honrados que votaram em João Goulart não tinham dado seu voto ao comunismo, como defendido de forma cada vez mais clara pelo presidente, ou seja, Jango enganou o povo. 

Não era possível que Marinha, Aeronáutica e Exército suportassem mais tamanha impostura e tamanha carga de traição. Por isso, apoiados pela maioria da sociedade civil e com grande apoio político, os militares deflagraram o Movimento de 1964.

Apesar de assumirem o poder político, o regime militar não conseguiu sufocar a oposição da esquerda. Ao se ocupar em combater a guerrilha (curiosamente, anos mais tarde uma terrorista viria a ser presidente da República), o regime não se empenhou com a mesma força em combater o comunismo na esfera cultual, social e moral.

Na época, havia a famosa teoria da panela de pressão do General Golbery do Couto e Silva, que dizia que o regime militar não poderia tampar todos os buracos e fazer pressão, porque senão o sistema poderia estourar. Desafortunadamente, a válvula que deixaram aberta para a esquerda foram as Universidades e o aparato cultural (o Livro de Flávio Gordon – A Corrupção da Inteligência – explica muito bem isto).

A história mostra que a classe política, que na época tinha uma grande representação de políticos de direita, acabou sendo marginalizada, deixando um espaço vazio, que acabou sendo preenchido pelos políticos de esquerda que voltavam do exílio. Esta hegemonia da esquerda já era bem notada na ocasião da Constituição de 1988.

Ao longo dos anos, a degradação cultural, moral, social e política do nosso país só fez aumentar. Nas últimas décadas, vimos um processo de corrupção endêmica e institucional sem precedentes e uma violência sem medidas, dando causa a mais de 60.000 homicídios por ano.

Parece que houve um entorpecimento da alma da sociedade brasileira, permitindo que pessoas toscas e malformadas chegassem a postos importantes da República.

Mas o pior é que tudo isto foi profetizado pelo General Sylvio Frota, Ministro do Exército do governo do Presidente Geisel.

Termino este artigo citando o General Frota que, ao deixar o Ministério após um longo embate político, nos brindou com uma carta de despedida irretocável.

Apesar de atualmente termos um presidente alinhado com pensamentos mais à direita, ainda vale a leitura de uma pequena parte da carta do General (para conhecer mais o assunto, leia o livro os Ideais Traídos, escrito por ele), com o objetivo de trazer inspiração e motivação para continuarmos lutando por um Brasil democrático e livre de ideias nefastas e perigosas que ainda podem enganar os incautos.


“Que os quadros do Exército reflitam sobre o grave momento que atravessamos e meditem na magnífica tarefa que lhes atribuo, de preservar, para seus filhos, um Brasil democrático. E se, por fatalidade, isto não acontecer, quando as pesadas algemas do totalitarismo marxista fizerem porejar o suor da amargura, nas frontes pálidas de suas esposas, não quero que em seus lamentos de desespero, acusem o General Sylvio Frota de omissão e de não lhes ter apontado o perigo iminente”.

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André Machado
Cristão, casado há 19 anos, tem três filhos. Foi Sargento da Força Aérea durante 8 anos. Ocupa o cargo de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil desde 1998, tendo desempenhado diversas funções em comissão e em assessoria, com destaque para o de Diretor de Fiscalização Substituto, Coordenador Geral de Planejamento e Chefe do Escritório de Fiscalização no Rio de Janeiro (todos na PREVIC). Também atua como professor da Escola Nacional de Administração Pública (ENAP), na área de Gestão e Planejamento. Possui graduação em Administração pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (1994); Pós-graduação em Administração Pública pela Fundação Getúlio Vargas/RJ (2001); Pós-Graduação em Previdência Complementar pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2003); Mestrado em Engenharia de Produção pela Universidade Federal Fluminense (2005); Advanced Leadership Seminar / Haggai Institute- 2008 (USA); Pós-Graduação em Política e Estratégia pela Escola Superior de Guerra (2011).

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